segunda-feira, 5 de julho de 2010

Parada rápida 2 - Great Falls – Montana


Mais uma locação de encher os olhos.

Vamos subir apenas um Estado no mapa americano, saído do Wyoming, e entrar em Montana. Mais uma vez estaremos presenciando um cenário espetacular, de um filme de igual intensidade. Uma paisagem natural belíssima, entrecortada por montanhas rochosas e emoldurada por uma linda ponte de metal, típica do interior do País. É a Hardy Bridge, que cruza o Missouri River, ao sul de Great Falls. No filme, ela serviu para delimitar a fronteira entre EUA e Canadá. Mas apesar de ficar bem próxima a fronteira, não será possível chegar no Canadá apenas cruzando a mesma. Precisaríamos subir a estrada alguns quilômetros acima. Mas isso não diminui o impacto da imagem. A paisagem emoldurada pelas pastagens, pelas colinas rochosas e pela ponte de metal é ímpar, digna de um cartão postal. E a cena que lá ocorre também é maravilhosa, com toques de western num filme de gângsters. Uma obra prima criada pelo homem, de mãos dadas com a perfeição da natureza.

Parada rápida - Moorcroft – Wyoming


Por que parar no Wyoming?

Bom, olhe a foto ao lado.

Ainda não se ligou?


Que tal Steven Spielberg, Richard Dreyfuss e François Truffaut reunidos numa das melhores ficções-científicas já realizadas.

Contatos Imediatos do 3º Grau, um dos primeiros sucessos de Steven Spielberg, tem no Wyoming o local que serviu de cenário natural para a produção. Quase como um coadjuvante, esta gigantesca colina é hoje, graças ao filme de Spielberg, um ponto turístico muito famoso do Estado. A localização não é exatamente na cidade de Moorcroft, mas ela é o ponto de partida para a visitação. A partir desta cidade, deve-se pegar a estrada I-90, sentido nordeste, em direção ao Black Hills National Forrest. Nas proximidades do parque já será possível avistar a incrível Devil’s Tower, a colina que permeia a mente de Richard Dreyfuss durante todo o filme. O local virou o ponto turístico mais visitado do parque, que é aberto à visitação de abril a outubro. Impossível não se emocionar ao ficar de frente com este ícone, que é também o primeiro monumento nacional do País, oficializado em 1906 pelo presidente Theodoro Roosvelt. Um passeio incrível.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Doce Novembro - São Francisco no romance de Keanu Reeves e Sharlize Theron


Doce Novembro (Sweet November)


Filmes classificados como romance dificilmente conseguem arrancar elogios da crítica. Normalmente recebem uma classificação mediana, sem elogios em excesso ou críticas comprometedoras. Ganham uma nota 6, ou 5, dependendo do humor do crítico. E o que isso signfica? Basicamente nada. O principal motivo para este posicionamento talvez seja o excesso de clichês e a tendência para o drama forçado que muitos romances demonstram. Tais filmes envolvem, em sua maioria, romances proibidos, amantes que são separados pelo destino, doentes terminais tentando aproveitar seus últimos suspiros ou ainda protagonistas que se odeiam no início só para descobrir, já no final, que sempre se amavam. Ou seja, inverossímel e previsível. Ou, em palavras mais objetivas, totalmente diferentes da vida real, imprevisível e extremamente normal.


Ora, sem discriminar os filmes carregados em tintas realistas, bastante comuns hoje em dia, de vida real já basta a nossa. Então, jogue o preconceito no lixo, ponha a caixinha de lenços de papel debaixo dos braços e aproveite essas histórias carregadas de sentimentalismo, feitas para se apaixonar, rir e chorar. Assista Doce Novembro como se tivesse acabado de se apaixonar. Aliás, essa é a melhor dica que posso dar quando estiver assistindo um filme de romance. Imagine-se nos primeiros dias de namoro, nos primeiros beijos, na palpitação a cada encontro e nos telefonemas longos e sem assunto. Após esta pequena fase, se o relacionamento durar, encontramos o verdadeiro amor. Mas este amor, se não for devidamente cultivado e vivido com paixão, pode acabar. Pode parecer simples, didático até, mas a dinâmica é mais ou menos essa. E quando paramos para analisar, não entendemos o que é essa paixão, esse romance, essas situações clichê que tanto vemos no cinema. Preferimos então filmes com tons realistas e histórias pautadas no verossímil. Pare, pense e reflita. Será melhor para entender Doce Novembro e outros tantos romances hollywoodianos. Será melhor para sua vida.


Sem entregar a história do filme, basta dizer que Doce Novembro é um típico romance, com uma (ou várias) daquelas características mencionadas anteriormente. Não foge do clichê, mas também não tem pretensões maiores se não entreter e fazer emocionar. Tem boas doses de seriedade, paixão e drama. Poderia provocar um pouco mais de risadas, que sempre nos aproxima mais dos personagens, mas tem o tom certo para a história que conta. Keanu Reeves é sempre Keanu Reeves. Charlize Theron ilumina cada cena, e os coadjuvantes entram na hora certa. Entre eles, Jason Isaacs, o vilão de O Patriota (The Patriot), com Mel Gibson, num papel diferente, por assim dizer. A história é simples, sem novidades, mas o final traz um pouco do realismo que muitos críticos gostam. Um bom programa para extrair aquela paixão que existe dentro de cada um, e tirar da rotina a vida de todos nós. Pelo menos por algumas horas.


Algumas locações de Doce Novembro merecem destaque, entre elas, o parque onde vemos o casal caminhando, acompanhando os trilhos de um bondinho, supostamente perto da casa de Sara. Trata-se do Dolores Park, ou Mission Dolores Park, ou ainda Mission Park. Fica no Distrito de Mission, numa região conhecida como Dolores Heights. Portanto, bem longe da casa de Sara, que fica em Potrero Hill, na esquina da Missouri Street com a 18th Street. Tem uma vista belíssima da cidade, local para caminhadas, quadras de esportes e locais para passear com cachorros. Por isso, é bastante frequentado por moradores da cidade, e não é muito conhecido por turistas. A passarela que liga a rua ao parque, e que vemos na cena final do filme, fica na esquina da 19th Street com a Church Street. Mas a estufa que vemos de fundo não existe por lá. Ela foi construida para o filme apenas para esconder uma estátuta que existe por lá. Deve ser uma estátua um tanto esquisita...


Que tal um café onde a dupla central da história, mais o moleque vizinho de Sara, dividem uma mesa quando o amigo de Nelson entra e os encontra sem querer? É o Farley’s Café, número 1315 da 18th Street, também em Potrero Hill. Se preferir um lugar mais chique, opte pelo Citicourt Café, dentro do Citicourt Center, número 1 da Sansome Street, bem no centro da cidade. E se sair para um drik, aproveite para tomar uma cervejinha no Blooms Saloon, número 1318 da 18th Street, local onde Nelson conversa com o amigo de Sara, após um incidente revelador, e também onde vemos Nelson cantando para Sara, mais para o final do filme. Um último passeio pelos sets de filmagem de Doce Novembro é uma caminhada pela Golden Gate Promenade e a Crissy Field Beach, na região de Presidio, com a impressionante ponte de fundo, sempre compondo um visual único. No filme, este lugar foi usado para filmar a caminhada da dupla, bem acompanhados por cerca de meia dúzia de enormes poodles brancos. Esqueça os poodles e aproveite o visual.


Making off:
- Esta é a segunda vez em que os atores Keanu Reeves e Charlize Theron atuam juntos. Anteriormente eles já haviam trabalhado em O Advogado do Diabo;
- Doce Novembro é a refilmagem de Por Toda a Minha Vida, lançado em 1968;
- Recebeu 3 indicações ao Framboesa de Ouro, nas seguintes categorias: Pior Ator (Keanu Reeves), Pior Atriz (Charlize Theron) e Pior Remake ou Sequência.

A Florida de Jim Carrey - O Show de Truman


O Show de Truman, O Show da Vida


O Show de Truman não é um filme, é uma previsão. Juntamente com EdTV, de Ron Howard, constitui a bola de cristal mais precisa já vista. Explico. Os dois filmes em questão falam de um fenômeno absurdo que ocorre nas mídias televisivas de todo mundo. E se existir vida fora da Terra, e lá funcionar um canal de TV, o programa de maior audiência será um reality show. O Show de Truman leva este fenômeno ao extremo, onde a vida inteira de Truman Burbank, desde seu nascimento, é televisionada 24 horas por dia. E ele não sabe. Todos ao seu redor são extras, inclusive sua esposa. A cidade onde mora é na verdade um estúdio que é abrigado sob uma gigante redoma que pode ser vista do espaço.


Exageros a parte, o intrigante filme de Peter Weir relata de uma forma incrível a necessidade da humanidade em se meter na vida dos outros. Foi lançado em 1998, quando os reality shows ainda não estavam tão em voga quanto hoje, por isso, dividiu opiniões. A crítica adorou e o público não entendeu muito bem, reclamando do final. Se estivesse nos cinemas hoje, e não disputasse o horário com um episódio do Big Brother, faria muito mais barulho.


O mais incrível é que, excetuando-se algumas “maquiagens” feitas com computação gráfica, a cidade onde Truman morava realmente existe. O lugar se chama Seaside, e fica a alguns quilometros de Panama City, em direção a Fort Walton Beach, bem no lado oeste da Florida. Um pouco fora de mão do roteiro Miami e Orlando, mas a visita é espetacular. O lugar é um resort planejado, e as casas que aparecem no filme estão todas lá. Inclusive a casa de Truman, hoje carinhosamente identificada como “The Truman house”, número 31 da Natchez Street, Seaside, bem a oeste da cidade, perto do Narchez Park. Ainda estão lá as ruas de piso avermelhado e a rotatória que podemos ver numa cena antológica envolvendo a desconfiança de Truman com sua vida “perfeita”. E só para tranquilizar, a cidade não é um estúdio inteiramente construido sob uma redoma gigantesca. É um lugar que se tornou mágico graças ao cinema.

Adriannnn - A Filadélfia de Rocky, um Lutador


Rocky, um Lutador (Rocky)


Vendo Sylvester Stallone hoje, procurando por sets na America do Sul para um filme previamente intitulado de Os Mercenários (!), co-estrelado por Dolph Lundgreen(!), fica difícil de imaginar que o roteiro de Rocky é de sua autoria. E escrito em apenas 3 dias. E ainda, que o filme ganhou 3 Oscars. Aliás, Oscar e Stallone não soam muito bem numa mesma sentença. Mas foi exatamente isto que aconteceu. Stallone escreveu e atuou neste filme que arrematou 3 Oscars, nas categorias de melhor filme, direção e edição. Ganhando inclusive de Taxi Driver, de Martin Scorsese. Como visto, não é de hoje que a Academia teima em surpreender nas premiações.


Mas Rocky, um Lutador é um bom filme. Um drama que tem como pano de fundo o boxe. Uma verdadeira epopéia sobre a superação, a persistência e o amor. Difícil não se comover com os gritos de Stallone ao final, chamando por sua esposa Adrian, vivida por Talia Shire, irmã de Francis Ford Coppola. O diretor, o mesmo de Karate Kid, outro filme envolvendo superação e persistência, caprichou na emoção, e Stallone, quem diria, parece ter nascido para dar vida a Rocky Balboa. Ele quase perdeu o papel, pois o estúdio não o queria como protagonista. Mas ele bateu o pé, e acabou enfiando o mesmo numa série que viria a marcar sua carreira. O filme teve 5 continuações, quase todas medíocres, com excessão da última, Rocky Balboa, a redenção de Stallone. Este último filme colocou na tela não mais um Rocky Balboa em busca de uma última luta, e sim um Sylvester Stallone em busca de aceitação pelo que ele é, e pelo que fez. Fechou de uma maneira sublime a carreira de Rocky Balboa, e teria fechado com chave de ouro a sua, se tivesse parado por aí. Infelizmente, perdeu a oportunidade de se tornar um ícone. Ao invés disso, continuou na luta, literalmente, dessa vez revivendo o museu da guerra fria, Rambo. O ator não entendeu o recado, e ao invés de parar, levou essa história de trazer fantasmas do passado a tona muito seriamente. Rambo não tem o conteúdo e a história de um Rocky Balboa, personagem e filme, o que acabou tornando o quarto episódio uma bobagem homérica, cheia de violência e, bem, mais violência. Bobagem tão grande quanto procurar sets na America do Sul para um filme de nome Os Mercenários, em parceria com Dolph Lundgren. Essa sentença, infelizmente, combina mais com Stallone.


Enquanto aguardamos o astro se afundar de uma vez em seu final de carreira, vamos reviver os passos do lutador de boxe pobretão em busca de seu sonho. E a primeira parada não poderia ser outra, as escadarias do Philadelphia Museum of Art, 26th Street, Benjamin Franklin Parkway. Aqui fica claro, a força extraordinária que o cinema tem. Se um filme vira um sucesso, e neste caso, praticamente um clássico, as locações onde este filme foi feito viram pontos turísticos conhecidos e visitados frequentemente. É o caso destes simpels degraus, responsáveis por conduzir o visitante às portas do museu, mas que ficaram incrivelmente mais famosos que o próprio museu. Hoje, quando estamos na Filadélfia, não vamos visitar o Museu de Arte da cidade, e sim as escadarias onde Sylvester “Rocky Balboa” Stallone treinava. Uma vez por lá, claro, por que não entrar e ver umas obras de arte? Até porque, ali dentro foram filmadas cenas de Vestida para Matar (Dressed to Kill), de Brian de Palma. Neste filme, o Philadelphia Museum of Art foi escolhido para representar o Metropolitan Museum of art de Nova York, onde a história é ambientada.


O prédio onde fica o apartamento de Rocky, simples e bem ao estilo londrino, fica no número 1818 East Tusculum Street, Kensington, no norte da cidade. Novamente, é uma residência particular, leia-se: não perturbe. No seu treino, Rocky corre bastante, passando em frente a City Hall (prefeitura) na 1 Penn Square, 1450 da John F. Kennedy Boulevard, e o Italian Market, na 9th Street, entre a Federal e a Christian Street. Neste mercado podemos encontrar lojas, padarias, restaurantes, cafés, açougues, em sua maioria, de influência Italiana. Nos últimos anos, o mercado tem comportado também lojas e restaurantes de origem Mexicana, Coreana e Chinesa, devido a invasão desta cultura na região através de seus moradores. Continua sendo um bom passeio, principalmente se coincindir com o Italian Market Festival, que ocorre anualmente em meados de maio. Música, diversão e muita comida.


E para terminar em grande estilo (talvez nem tão grande assim), que tal um almoço no Pat’s King of Steaks, número 1237 da East Passyunk Avenue. Segundo os moradores, desde 1930 este restaurante serve o melhor cheese steak da cidade. Na verdade, esta comida é praticamente uma instituição na Filadélfia, e cada morador tem seu local preferido. O que é um cheese steak? Nada mais que um sanduíche de filé, normalmente em pão italiano, coberto de queijo. As variações e os acompanhamentos é que irão definir os melhores locais. No Pat’s King of Steaks, existe uma placa indicativa de como pedir o seu cheese steak, escrita por um tal de I.M. Hungry (ou, em bom português, Estou com Fome). A placa é na verdade um roteiro, descrito na forma de passos, que seguem mais ou menos assim:


Passo 1
Especifique se você quer o seu prato com ou sem cebolas
(se não for um novato, esta etapa é natural para você)
Passo 2
Especifique o tipo de queijo, conforme a relação
Passo 3
Tenha em mãos seu dinheiro, se necessário, faça sua vaquinha ainda na fila
Passo 4
Pratique os passos anteriores enquanto está na fila
Se você errar no pedido, não entre em pânico, apenas vá para o final da fila e pratique tudo novamente.


Making off:
- Stallone recebeu 8 indicações ao Framboesa de Ouro de Pior Roteiro, por "Rhinestone - Um Brilho na Noite" (1984), "Rocky IV" (1985), "Rambo II" (1985), "Stallone Cobra" (1986), "Rambo III" (1988), "Rocky V" (1990), "Risco Total" (1993) e "Alta Velocidade" (2001). Venceu por "Rambo II", ao mesmo tempo em que foi o 3º a ser indicado como ator e roteirista em um mesmo ano do Oscar. Apenas Charles Chaplin, por "O Grande Ditador", e Orson Welles, por "Cidadão Kane", haviam conseguido este feito. Vai entender...
- Ao término do filme, Rocky, Um Lutador custou no total US$ 1,1 milhão. Dinheiro arrecadado com a hipoteca das casas dos produtores. A bilheteria do filme, apenas nos Estados Unidos, foi de US$ 117,23 milhões;
- o cachorro que aparece no filme, Butkus, realmente pertencia a Stallone na época.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A Londres séria e marcante de Closer, Perto Demais


Closer, Perto Demais (Closer)


Com um currículo tão eclético quanto respeitável, incluindo obras memoráveis como A Primeira Noite de Um Homem (The Graduate) e Uma Secretária de Futuro (Working Girl), e outras nem tanto, como o esquisito Lobo (Wolf), com Jack Nicholson, e o mediano A Gaiola das Loucas (The Birdcage), Nichols fez de Closer, Perto Demais, um de seus melhores filmes. Se não o melhor, pelo menos o mais intimista, graças principalmente ao incrível roteiro de Patrick Marber, também autor da peça na qual o filme é inspirado. O enredo, que gira em torno de apenas quatro personagens, flerta com assuntos sérios com um charme nunca antes visto. Intimidade, infidelidade, honestidade, verdades e mentiras se misturam a interpretações magistrais de um quarteto afinadíssimo. Julia Roberts, Jude Law, Clive Owen e especialmente Natalie Portman dão um show de realismo e siceridade, que em certos momentos, deixa o espectador envergonhado diante de situações bastante íntimas exploradas a exaustão pelas lentes de Nichols. Em certos momentos, torcemos por um grito de “corta” do diretor. Ao invés disso, a cena é estendida ao máximo, apenas para desnudar os sentimentos de cada personagem. É adulto, sério e emocionante. E de brinde, o filme ainda traz uma trilha sonora impecável – tão eclética quanto o currículo do diretor – que inclui canções da brasileiríssima Bebel Gilberto. No entanto, o disco é dominado pela música que não saiu da boca do povo ao redor do mundo, a melancólica “The Blower's Daughter”, de Damien Rice, regravada em várias línguas, inclusive o português, com as vozes de Ana Carolina, Seu Jorge e Simone, intitulada “É isso aí”. Piegas ao extremo, mas na medida para as histórias contadas na tela.


Closer nasceu nos palcos da Inglaterra, e nada mais justo que, ao transpor essa difícil história sobre relacionamentos modernos para a tela grande, fosse mantida a atmosfera londrina, sóbria e muitas vezes fria, como palco para o desenvolvimento da trama. Londres e Closer são indissociáveis. Estão lá a frieza e a assepsia do London Aquarium (piso térreo da County Hall, Westminster Bridge Road, próximo a London Eye) e a efervescência cultural e turística das Margens do Rio Thames, principalmente na região conhecida como South Banks, que proporciona vistas incríveis de cartões postais da cidade, como o Tate Modern, British Airways London Eye, National Film Theatre e a Millennium Bridge. Ainda, na cena da exposição de fotos da personagem de Julia Roberts, o incrível átrio central de um imenso prédio que vemos na tela é o interior da Whiteleys, a primeira loja de departamentos de Londres, e que hoje abriga um moderno e luxuoso shopping Center. A Whiteleys fica na Queensway, bem pertinho da extremidade noroeste do Hyde Park. E por último, uma cena famosa, quando as personagens de Natalie Portman e Jude Law se encontram e se apaixonam, foi gravada no Postman’s Park, um belíssimo parque público da cidade. Ali, bem em frente ao Memorial to Heroic Self Sacrifice, um memorial dedicado a pessoas comuns que perderam suas vidas salvando outras, foi filmada a cena em questão. O Postman’s Park fica na Little Brittain, City of London, há apenas 300 metros no sentido norte da St. Pauls Cathedral. E o Memorial to Heroic Self Sacrifice tem uma história bastante interessante.


Making off:
- Natalie Portman pediu a Mike Nichols que retirasse da versão final de Closer - Perto Demais uma cena sua de nudez. O diretor atendeu ao pedido;
- Clive Owen interpretou o personagem Dan – vivido no filme por Jude Law – na montagem da peça nos teatros de Londres;
- Cate Blanchett chegou a assinar contrato para interpretar Anna, mas teve que desistir da personagem devido à sua 2ª gravidez;
- Recebeu 2 indicações ao Oscar, nas seguintes categorias: Melhor Ator Coadjuvante (Clive Owen) e Melhor Atriz Coadjuvante (Natalie Portman);
- Ganhou 2 Globos de Ouro, nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (Clive Owen) e Melhor Atriz Coadjuvante (Natalie Portman). Recebeu ainda outras 3 indicações, nas seguintes categorias: Melhor Filme - Drama, Melhor Diretor e Melhor Roteiro;- a personagem de Natalie Portman tem um codnome, Alice Ayres. Este é um dos nomes que estão gravados nos azulejos do Memorial to Heroic Self Sacrifice.


Bônus

Uma visita ao incrível Memorial to Heroic Self Sacrifice, ou apenas, Wall of Heroes.

Atualmente, com um mundo altamente globalizado e conectado, onde as informações correm na velocidade da luz e praticamente toda a população tem em mãos uma pequena câmera de vídeo em seu aparelho celular, é cada vez mais fácil vermos imagens de gente comum arriscando a própria vida na tentativa de salvar a do próximo. Muitas vezes até sucumbe em meio ao ato heróico. Pessoas que são levadas pelas correntezas de uma enchente, desaparecem em meio a escombros de edifícios que desabaram ou mesmo tentando impedir atos terroristas, como no caso da tragédia do Vôo United 93, retratada no incrível filme de Paul Greengrass, já comentado aqui. Seus nomes, graças a essa tecnologia encontrada hoje, são lembrados por dias em jornais, revistas e até mesmo na televisão. Suas vidas se vão, mas para os familiares que ficam, essa lembrança – e de certa forma homenagem – serve para acalmar os corações vazios e em sofrimento, ainda que por apenas alguns breves momentos.
Pensando desta maneira, mas muito antes disso, em 30 de julho de 1900, nascia no centro de Londres, através das mãos calejadas do artista plástico George Frederic Watts, na época com 83 anos, o Memorial to Heroic Self Sacrifice, numa parede do lado de fora de um dos prédios que circundavam o Postman’s Park, devidamente coberta e calçada. Como nos dias de hoje, Watts sentia a necessidade de homenagear aqueles que sacrificavam suas próprias vidas na tentativa de salvar outras, que muitas vezes nem sequer conheciam. Pessoas que, sem este memorial, jamais seriam reconhecidas pela sociedade, desaparecendo do plano terreno e muito provavelmente, esquecidas para sempre.
O memorial fora planejado para abrigar cerca de 120 placas, todas pintadas a mão em azulejos brancos, gravadas com o nome do homenageado, acompanhado de um pequeno resumo de seu ato heróico. Na época de sua inauguração, em 1900, apenas 4 placas haviam sido instaladas. Vislumbrando um alto custo para a colocação de todas as 120 placas, Watts decidiu mudar um pouco a qualidade e o modelo dos azulejos, barateando assim o custo da obra. Até 1902, mais nove placas foram instaladas, e todos os nomes haviam sido selecionados pelo próprio Watts.
Em 1904, George Frederic Watts morre, deixando a conclusão dos trabalhos para o Heroic Self Sacrifice Memorial Committee, um comitê criado alguns anos antes para ajudar no andamento dos trabalhos do memorial, devido aos constantes problemas de saúde do Sr. Watts. No mesmo ano, a esposa de George, Mary Watts decide terminar a obra do marido, levantando fundos do próprio bolso para a colocação de mais 35 placas, com os nomes selecionados da antiga lista criada pelo próprio Watts. Em 1910, Mary Watts comunicou ao comitê que não tinha mais dinheiro para terminar o memorial, pois estava se dedicando a terminar a capela mortuária de George e a Watts Galery, ambas em Compton, Surrey. Ainda faltavam três fileiras de placas para concluir o memorial.
Anos se passaram, e poucas placas eram adicionadas. Na época da morte de Mary Watts, final da década de 30, o memorial estava completamente abandonado, e era totalmente ignorado pela população. Em 2004, Closer, Perto Demais tratou de devolver a dignidade ao Memorial to Heroic Self Sacrifice, filmando uma de suas cenas bem em frente às famosas placas de azulejos do Sr. Watts. Desde então, o local voltou a ser atração turística da cidade, e a partir de 2009, depois da colocação de uma nova placa (de número 54) em nome de Leigh Pitt – 78 anos após a última colocação – um homem de 30 anos que salvou uma criança do afogamento num rio da região, foi decidido que novas placas seriam adicionadas. Agradecemos a força do cinema por devolver o valor a uma obra de arte que nunca deveria ter sido esquecida. Muitos heróis, até então anônimos, terão novamente um lugar na história, e serão lembrados eternamente através de seus atos de coragem e altruísmo.

Mind the Gap - A Londres de Um Lugar Chamado Nothing Hill


Um Lugar Chamado Notting Hill (Notting Hill)


Um ótimo romance, com bastante humor inglês – cortesia do amigo do personagem de Grant, com quem divide um apartamento – e sentimentalismo americano, que não chega a atrapalhar o andamento do filme. Julia Roberts parece estar interpretando a si mesma, e Grant surge mais uma vez como um inglês bobalhão e desajeitado, bem ao estilo Quatro Casamentos e um Funeral, Nove Meses e Um Grande Garoto. Nada de novidade, e sem a força de um Uma Linda Mulher, mas ainda assim bastante divertido e convincente, garantindo boas risadas e situações embaraçantes.


O roteiro passeia – e romatiza – o bairro londrino que dá nome ao filme. Notthing Hill, região centro-oeste da cidade, aparece como uma charmosa e pitoresca vila inglesa, o que de fato ela é. Mas nem sempre foi assim. Notting Hill tem muita história, e merece destaque em nossa viagem. Veja mais adiante.

A famosa livraria do personagem de Hugh Grant, a Travel Book Company, infelizmente não existe. A sua fachada foi forjada no número 142 da Portobello Road, onde hoje fica a loja de móveis Gong. A produção utilizou o interior de outra livraria, a Travel Bookshop, que fica nos números 13-15 da Blenheim Crescent, virando a esquina da Portobello Road. Ali perto também fica (ou ficava) a porta azul que representava a entrada do flat do personagem de Grant. Bom, o flat, obviamente, continua lá. A porta, no entanto, não é mais a mesma. Após o sucesso do filme, o local virou atração turística do bairro. O proprietário, no intuito de acabar com a constante presença de turistas batendo a sua porta – exatamente como os papparazzis faziam no filme – resolveu então trocá-la, leiloando a mesma e revertendo seu lucro a instituições de caridade. A porta agora é preta, mas o endereço ainda é o mesmo, número 280 da Westbourne Park Road. Partindo deste endereço, pegando a Kensington Park Road 300 metros em direção ao sul, chegamos a Lansdowne Road, onde ficava a casa da irmã de Hugh Grant no filme, e onde ocorre um jantar de aniversário hilariante. O endereço exato é o número 91 desta rua. Virando a próxima esquina, temos a rua onde fica a entrada de um jardim particular, e que aparece em outra cena bastante engraçada, onde o personagem de Grant tenta pular o muro que separa o jardim da rua. Trata-se do Rosmead Gardens, na Rosmead Road.


Dicas para reabastecer suas energias: se quiser algo mais sério, chique e representativo financeiramente falando, vá jantar no Nobu, restaurante japonês freqüentado pelo casal principal do filme. Ele fica no Metropolitan Hotel, número 10 da Old Park Lane, perto da extremidade leste do imenso Hyde Park. Ou se preferir algo mais simbólico, por assim dizer, dê uma paradinha no Coffee Republic. Uma de suas lojas fica em Notting Hill mesmo, na esquina da Westbourne Park com a Portobello Road. Na calçada deste exato local, o persogem de Grant esbarra – literalmente – pela primeira vez com a diva Julia Roberts. No filme, o imóvel em questão ainda estava vazio.

Para terminar o passeio por Notting Hill (o filme, não o bairro), dê uma passadinha no cinema onde Grant vê o filme Helix (fictício, claro), estrelado por Julia Roberts, que fica no número 103 da Notting Hill Gate, e se chama Coronet Cinema. E se sobrar tempo, aproveite para conhecer o lindo jardim – da incrível mansão – onde estava sendo filmada uma cena de um novo filme de Roberts, motivo pelo qual a atriz estava na cidade. Trata-se da Kenwood House, na Hampstead Lane, ao norte de Londres. Este antigo casarão guarda obras de arte da antiguidade e tem sua entrada aberta a visitação pública. E o melhor, assim como todos os museus da cidade, sua entrada é gratuita.


Making off:
- Hugh Grant e o diretor Roger Mitchell já haviam trabalhado juntos anteriormente, em Quatro Casamentos e um Funeral;
- No filme, Anna Scott diz que recebeu 15 milhões de dólares pelo seu último papel nocinema. Foi exatamente esta a quantia recebida por Julia Roberts para estrelar Um Lugar Chamado Notting Hill;
- Indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Comédia / Musical, Melhor Ator de Cinema - Comédia / Musical (Hugh Grant) e Melhor Atriz de Cinema - Comédia / Música (Julia Roberts).


Bônus:

Notting Hill, o bairro.

Da área rural, típica do início do século XIX, à Notting Hill atual, com suas casas em estilo vitoriano, ruas arborizadas, parques floridos, feiras semanais e festivais culturais anuais (Notting Hill Carnival), muitas mudanças foram necessárias. Durante a segunda Grande Guerra (sempre ela), o bairro – além de muitas outras cidades inglesas – teve algumas de suas construções abaladas pela famosa Blitz Alemã, um bombardeio contínuo pela Luftwaffe durante setembro de 1940 e maio de 1941. Uma delas, a All Saints Church, foi bombardeada em duas oportunidades, em 41 e 44, e precisou ser restaurada quase por completo.
No anos seguintes ao fim da Guerra, Notting Hill sofreu uma intensa imigração Caribenha, que ocupava sem nenhum critério imensos casarões vitorianos, transformados em verdadeiros pardieiros. Na déca de 50, surgiu um grupo que ficou conhecido como Teddy Boys, que compreendia trabalhadores de classe média, brancos e muitos deles bastante jovens. Seu objetivo era hostilizar as famílias negras que viviam na região, através de atos de vandalismo e violência física, como a sofrida por um casal numa estação de metro da cidade. Em agosto deste ano, uma gangue de jovens brancos atacou verbalmente a sueca Majbritt Morrison e seu marido jamaicano. Na noite seguinte, o casal sofreu severas agressões físicas, dando início ao motin racial de Notting Hill, ou Notting Hill race riots, que durou várias noites, só terminando dia 5 de setembro, com a prisão de mais de 140 pessoas.
Em janeiro de 1959, com o objetivo de acalmar a tensão racial que existia não só no bairro, como em toda Londres, surgia o Notting Hill Carnival, pelas mãos de Claudia Jones, uma moradora da região, originária de Trinidad Tobago. Até 1965, o festival, apesar do relativo sucesso, ainda era organizado em clubes da região. Em 1966, foi levado para as ruas, e seu sucesso só veio a aumentar. Capitaneado principalmente por Caribenhos, o carnaval londrino de Notting Hill se assemelha (com suas devidas proporções) ao carnaval carioca (Brasil), e reúne hoje cerca de 500 mil pessoas anualmente, nos meses de agosto, durante apenas 2 dias de festa. Nada mal para um povo clássico, que se orgulha de sua pontualidade e de sua tradicional pausa para o chá das cinco.
Durante as décadas seguintes, principalmente nos anos 70 e 80, toda a região de Notting Hill foi remodelada e reestruturada até se converter no bairro chique que conhecemos hoje. E além do Notting Hill Carnival, o bairro ainda ostenta uma famosa feira de antiguidades, a Portobello Road Market, que acontece todos os sábados na rua de mesmo nome, e que inclusive aparece em uma cena do filme. Durante alguns dias da semana, esta mesma feira, nesta mesma rua, transforma-se num verdadeiro mercado de frutas e vegetais ao ar livre. Agora sim, uma feira de antiguidades tem muito mais a ver com Londres do que um carnaval de rua. Sem preconceito, claro.